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Sistema de 12 notas – o primeiro passo

Olá,

Aprender violão, ou algum outro instrumento em geral, costuma produzir no interessado a impressão de dificuldade ou de que há um caminho penoso a ser percorrido. Mais do que um fato que me entristece saber,  é uma realidade bastante comum e posso dizer que já ouvi muito esse tipo de conclusão tirada por várias pessoas. De fato, há dificuldades – ou desafios, como prefiro chamar – à nossa volta no que quer que façamos na vida, e o que se precisa é de um pouco mais de força de vontade, curiosidade para descobrir e persistência para ir um pouco além a cada nova tentativa.

Não quero prometer que seus problemas estarão acabados a partir de agora (:D), mas a minha proposta com esse blog é oferecer um pouco do que eu considero um guia simples para que você consiga reunir algumas  poucas mas importantes peças do quebra-cabeça que é tocar violão e chegue ao objetivo de reproduzir a música que você gosta de ouvir, ou pelo menos se colocar a caminho e vislumbrar um rumo para chegar até lá.

Para começar, eu recomendo aprendermos esses dois elementos: o sistema de 12 notas e o conceito de acidentes ou alterações musicais. Eles não se aplicam ao violão somente, mas são uma área essencial da teoria musical. A escolha por começar por eles veio da leitura de um livro muito interessante do autor Bill Edwards chamado Fretboard Logic SE. Em um obra muito concisa e prática, ele descreve os fundamentos para o aprendizado eficiente da guitarra (ou violão), e estrutura o assunto de uma forma muito lógica e fácil de compreender. Muita coisa que pretendo expor nesse blog é inspiração direta desse livro.

O que chamamos de música é constituído basicamente de vários sons que, de uma forma ordenada ou harmoniosa, nos dá a impressão de ser agradável ao ouvido. Esses sons, apesar de parecerem complexos, se tomados individualmente são descritos por somente 12 nomes diferentes, que são representados pelas 7 primeiras letras do alfabeto escritas em maiúsculo (A, B, C, D, E, F, G) e pelos símbolos # (sustenido) e b (bemol).  Memorizar esse sistema desde agora é extremamente importante porque, arriscando-me até a dizer, são a espinha dorsal de toda a música ocidental.

As 7 letras (também chamadas de cifras) representam as sete notas musicais:

  • A -> lá
  • B -> si
  • C -> dó
  • D -> ré
  • E -> mi
  • F -> fá
  • G -> sol

Mas, na realidade, não existem somente 7 notas musicais, mas sim 12 notas. Além das 7 já provavelmente bem conhecidas, as 5 notas (ou sons) restantes estão distribuídas ao longo de uma espécie de ciclo que reúne todo esse grupo, de acordo com a imagem abaixo.

Sistema de 12 notas usando sustenido

Vemos ao lado algo como uma “rosa das notas” (em analogia à rosa dos ventos), como eu costumo chamar. As 12 notas aparecem nessa ordem, assim como as letras do alfabeto, e seguem infinitamente. Não há começo ou fim; basta apenas lembrar que logo após o G (sol), temos o A (lá) e pronto. As posições em vermelho foram destacadas para mostrar onde as 5 notas faltantes se encaixam.

Nesse ponto, precisamos entender como compomos o nome da nota usando as letras e os símbolos. Eles têm um significado físico (em termos de frequência sonora) e também um outro significado que indica a direção do percurso quando nos movemos de uma nota para outra.

O significado físico é muito simples e tem relação apenas com as ideias de compararmos 2 sons e dizermos qual deles é mais agudo ou mais grave em relação ao outro. Um som é mais grave que outro som quando sua frequência sonora (em Hz) é mais baixa que a do outro som;  ao mesmo tempo que é mais agudo se sua frequência for mais alta que a do som que estamos usando para comparar.

Resumindo, sons baixos são de frequência baixa e são graves. Sons altos são de frequência alta e são agudos. Para nosso propósito de nomearmos as notas em vermelho, isso nos bastará.

Toda vez que estamos elevando um som (ou nota) em altura (tornando-o mais agudo ou, também dizendo, mais alto), estaremos usando o símbolo # (sustenido). Ou seja, estamos dizendo que o som anterior foi modificado ou alterado, e agora é um novo som mais alto. Toda vez que estamos abaixando um som em altura ( tornando-o mais baixo), estaremos usando o símbolo b (bemol).

A ideia de abaixarmos e elevarmos um som (ou nota) tem a ver com o significado de percorrermos as 12 notas. Perceba na imagem que, por exemplo, entre as notas A e B há o A#. Chamamos ele de Lá sustenido, ou A sustenido, o que indica que estamos subindo do A para o próximo som mais alto que ele,  que é A#. No círculo, para fins de compreensão, indicamos que estamos subindo entre as notas quando as percorremos no sentido horário. Perceba que as notas alteradas (em vermelho) são formadas pela nota que vem imediatamente antes dela mais o símbolo #. As únicas exceções são os pares B-C e E-F, que não possuem nenhuma nota sustenido entre cada uma de suas letras. Lembre-se sempre dessa exceção.

Agora vamos para o bemol. Na imagem abaixo, vemos uma imagem parecida, exceto pelo fato de que as mesmas notas em vermelho estão nomeadas de forma diferente. Ou seja, um mesmo som (ou nota) pode ter 2 nomes diferentes.

Sistema de 12 notas usando bemol

Não existe nesse caso um nome correto para a nota em vermelho, pois qualquer um pode ser usado. A única diferença é que o bemol indica que houve alteração de um som mais alto para outro mais baixo (estamos “descendo entre as notas”, enquanto que no sustenido houve alteração de um som mais baixo para outro mais alto (estamos “subindo entre as notas”). Nesse caso, estamos percorrendo as notas no sentido anti-horário, ou seja, estamos descendo de um som para outro mais baixo. A forma de nomear é a mesma: a nota que leva o bemol no seu nome é a nota que vem imediatamente antes dela mais o símbolo b. Mais uma vez, a regra dos pares também se aplica aqui: B-CE-F não possuem notas com alterações entre cada uma de suas letras.

Então temos as seguintes equivalências:

A#= Bb; C#= Db; D#= Eb; F#= Gb; G# = Ab

Espero que essas informações tenham sido úteis. Abraços e nos vemos na próxima.

Saudações e o motivo deste blog

Olá, pessoas.

Apesar de ser um troço tão popular, a ideia de eu ter um blog sempre me pareceu meio inútil até que bastante coisa interessante passou a acontecer e acabou me fazendo mudar de opinião. Um blog é bastante útil, sim, e se formos observar em volta, muita gente faz uso deles de formas bem variadas; uns para conseguir visitantes e monetizar sobre isso, outros para alcançar notoriedade, e outros ainda para propagar webshits de todo tipo. É claro que motivo para publicar alguma coisa ou mesmo a utilidade dela vai além da questão do julgamento, e opinar sobre isso é tão útil quanto discutir se sertanejo é melhor que axé.

Mas o que me traz aqui realmente é aquela ideia inofensiva que ao mesmo tempo tem tanto poder e que, na minha opinião, foi um dos motores da invenção da própria Internet: compartilhar. Assim como uma grande quantidade de blogs que existem (espero), só quero compartilhar alguma coisa que aprendi sobre um assunto. Acho que dentre tantos possíveis, um deles tem me chamado atenção e tem ganhado força até se tornar o que eu posso chamar de um de meus projetos pessoais. Aconteceu de eu conhecer nesses últimos anos algumas pessoas, dentre elas amigas, que gostam ou tiveram contato com violão ou guitarra e que simplesmente não conseguiram levar adiante a ideia de aprender o instrumento. A partir desses contatos, fiquei curioso e me interessei bastante pelos motivos que impediram esse pessoal de ver o violão como uma coisa ao alcance deles; algo que pudesse ser tão assimilável como qualquer outra habilidade do cotidiano.

Bom, resumindo a parada toda (já que esse post é para ser curto), pretendo usar esse espaço para compartilhar opiniões minhas sobre violão e guitarra, que são os instrumentos que toco (violão há 15 anos e guitarra há uns 5) e que gosto muito. Seguem abaixo alguns objetivos desse blog então.

  • descomplicar um pouco a visão que as pessoas em geral têm sobre aprender violão ou guitarra
  • servir de uma espécie de guia modesto para quem quer começar a tocar por conta própria mas se sente sem saber por onde começar
  • comentar sobre  diferenças entre violão e guitarra
  • indicar leituras e fontes que achei interessantes
  • compartilhar um pouco do que eu sei e oferecer soluções para alguns problemas e dificuldades que eu também tive para aprender
  • aproximar ao máximo a pessoa com pouco ou nenhum conhecimento de música daquilo que ela precisa saber para adentrar esse mundo e ter mais facilidade de aprimorar o que já sabe
  • publicar algum material elaborado ou compilado por mim que expressa alguma abordagem pessoal sobre algum problema

Antes de terminar, uma pequena advertência. Não sou professor de música e poderia arriscar a dizer que mal sei para mim o que quero compartilhar aqui. Mas sou um grande entusiasta, e acho muito válida a simples ideia  de colocar à disposição algum material que possa servir de alguma forma para alguém. Então, não se decepcione se encontrar algum erro ou não concordar com o que escrevo aqui. Deixe sua opinião nos comentários e peça que qualquer informação seja revisada, para que eu torne-a tão precisa quanto possível.

Obrigado a todos e nos vemos no próximo post.