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O violão e o sistema de 12 notas

Vimos até agora que o primeiro passo para aprender violão e, por que não dizer, aprender música de um modo geral, já foi dado com o sistema de 12 notas. Nesse texto quero mostrar a relação existente entre esse sistema e o violão, comentar a forma prática como identificamos e utilizamos os símbolos de alterações musicais # (sustenido) e b (bemol) quando nomeamos as notas e como se dá o percurso do braço do violão a partir da “rosa das notas” mostrada no post anterior.

O violão é fisicamente composto de várias partes. Para fins de refência e para contextualizar com o sistema de 12 notas, precisamos saber o nome de apenas 3 partes: o corpo do violão (também chamada de caixa de ressonância), o braço e a mão (ou paleta). O corpo é a parte onde o som é produzido propriamente; é basicamente uma caixa oca onde também está localizada a boca do violão (a abertura circular por onde podemos ver seu interior). O braço é a parte maciça e com a face plana onde os trastes (barras estreitas perpendiculares às cordas) estão posicionados e sobre as quais as cordas do violão repousam para serem pressionadas. Por fim, a mão do violão é a extremidade oposta ao corpo, onde as cordas são fixadas nas tarrachas (pequenos cilindros , um para cada corda, controlados por chaves giratórias) e a partir de onde contamos as casas do braço do violão.

Segurando o violão com nossa mão esquerda envolvendo o braço do violão e a mão direita sobre a boca, percebemos que há 6 cordas, contadas a partir da mais fina ou mais aguda (a que está mais abaixo)  em direção à mais grossa ou grave (acima de todas as outras).  Na figura, a pestana marca o início do braço e a primeira casa do violão. A contagem de casas parte sempre da pestana e segue em direção ao corpo.

Esse é o momento de comentarmos sobre as 12 notas e o seu papel. Como vimos, o braço do violão forma uma espécie de matriz de posições, onde as linhas são as cordas e as colunas são os trastes (que delimitam as casas). Cada posição dada pela dupla corda-casa representa uma nota.  A forma como sabemos que nota está associada a cada casa vem do que chamamos de afinação padrão do violão, na qual cada corda tocada de forma aberta (sem pressionarmos casa alguma) emite uma nota específica. A primeira corda, contada de baixo para cima, é a E (mi); a segunda é o B, a terceira é G, a quarta é D, a quinta é A e a sexta corda (mais acima) é a E (mi) novamente. Dessa forma, cada corda tocada aberta é ao mesmo tempo uma nota.

Se sabemos a nota associada a cada corda, podemos percorrer o braço do violão nomeando cada uma de suas posições (coordenada corda-casa) com a ajuda da rosa das notas vista no post anterior. Porém, antes disso, aqui entra um detalhe importante. Você vai perceber que à medida que tocamos cada uma das casas em uma mesma corda do violão a partir da mão em direção ao corpo (subindo), o som resultante aumenta em altura (fica mais agudo). Então, se estamos elevando uma nota, significa que estamos usando o símbolo # (sustenido). Por outro lado, se estivermos descendo do corpo do violão em direção à mão, iremos usar o b (bemol). Tomando a sexta corda (E mais grave) como exemplo, se tocarmos a primeira casa, estamos querendo a próxima nota que segue a nota E, que é o F. Se tocarmos a segunda casa, sabemos que é o F# (ou Gb), pois é a nota seguinte ao F; e assim por diante. Podemos usar o sutenido ou bemol livremente para as posições ou notas com acidentes, pois qualquer denominação é correta. A única diferença é que o # (sustenido) nos diz que estamos subindo da mão do violão em direção ao corpo (de sons graves para sons mais agudos ou mais altos) e o b (bemol) nos informa que estamos descendo do corpo do violão para a mão (de sons mais altos para sons mais baixos ou graves).

A figura abaixo mostra o braço do violão com todas as notas preenchidas em suas respectivas posições corda-casa (a mão do violão está à esquerda e o corpo está à direita). Lembre que a referência é sempre a corda tocada solta (ou aberta) para localizar outras notas. Se estou subindo do braço para o corpo, uso a ordem crescente das notas: A, B, C, D, E, F, G, A, B, C etc. Se estou descendo do corpo para a mão do violão, uso a ordem inversa (A, G, F, E, D, C, B, A, G, F etc). Observe também as notas com # ou bemol no nome.  Em uma determinada posição, usamos o sustenido com o nome da nota à sua esquerda (pois estamos elevando a nota anterior, ou subindo em direção ao corpo do violão para sons mais graves); por outro lado, usamos o bemol em uma nota tomando o nome da nota à sua direita (quando estamos descendo em direção à mão do violão).

Espero que tenha ficado claro para você a aplicação do sistema de 12 notas ao braço do violão. A partir disso, construiremos nosso caminho rumo ao aprendizado descomplicado do violão.

Nos vemos na próxima.