Arquivo para dezembro \21\UTC 2010

Instrumento versus teoria musical

Se revermos um pouco o ponto aonde chegamos no aprendizado sobre violão, constatamos que já sabemos uma porção de coisas, como estrutura do instrumento, sistema de notas – que atribuímos às casas do violão, e também formação e classificação de acordes. Até este momento, bastante foi falado, e para os propósitos do que precisávamos aprender, não houve necessidade de fazermos grandes separações ou esclarecimentos entre o que é do campo musical e o o que é inerente ao violão, até porque muita coisa se complementa e basicamente uma área auxilia de certa forma a compreensão e a aplicação prática da outra. No entanto, agora precisamos deixar claro um ponto que é crucial para a compreensão do próximo assunto: a relação entre a teoria musical (a “matéria escolar” ou a “disciplina” que trata da música universalmente) e a abordagem particular ao instrumento, ou como o violão se “comporta” dentro da música.

O nosso objetivo é juntar tudo o que estudamos em teoria até aqui e colocarmos na prática do instrumento para produzirmos música.  Embora  uma música propriamente falando envolva pelo menos 3 aspectos diferentes na sua estrutura – harmonia, melodia e ritmo – vamos começar pelos 2 primeiros, que são harmonia (sons tocados simultaneamente) e melodia (sons tocados sucessivamente, ou um após o outro). Essas duas áreas da música compreendem a mão esquerda para quem toca o violão. A mão direita fica com a função do ritmo, o que veremos no futuro.

Podemos dizer que as notas – dentre aquelas do sistema de 12 notas – quando tocadas uma após a outra são incluídas no estudo da melodia. Ao juntarmos grupos de 3 ou 4 notas distintas de acordo com regras bem definidas (que é um assunto vasto a ser visto mais tarde), montamos acordes, que são estudados na harmonia. Notas e acordes fazem parte da teoria musical e são encontrados em uma infinidade de instrumentos polifônicos (aqueles que são capazes de emitir mais de um som ao mesmo tempo), como piano, violão, viola (entre outros instrumentos de corda) etc.

Precisamos lembrar que uma nota no violão corresponde a uma corda apertada em um traste ou casa, e que temos somente 12 nomes possíveis se quisermos nomear essas notas: A, A# (ou Bb), B, C, C# (ou Db), D, D# (ou Eb), E, F, F# (ou Gb), G e G# (ou Ab). Podemos também montar acordes com 3 ou mais notas se apertarmos 3 ou mais cordas simultaneamente e as tocarmos. Então, fica fácil perceber que existe uma relação entre a teoria musical e como ela se expressa através do intrumento, ou, melhor dizendo, como as regras musicais – que são válidas para qualquer instrumento – se aplicam exatamente no violão.

Com base no que foi dito, passamos ao conceito de formas de acorde, – ou moldes de acorde – da tradução livre de chord forms, termo encontrado no excelente livro de Bill Edwards chamado Fretboard Logic. Segundo o próprio Bill, forma de acorde é  um elemento puramente aplicado ao violão e que descreve simplesmente a posição predefinida dos dedos da mão esquerda sobre o braço do violão; são uma espécie de ferramenta da qual fazemos uso para produzirmos e tocarmos um acorde no violão. Esse assunto será visto em detalhes em outro post devido a sua importância para nossos objetivos.

O que deve ficar entendido nesse ponto é que o violão, assim como qualquer instrumento, possui características físicas próprias que mapeiam conceitos musicais universais. Dessa forma, uma corda tocada produz um som que por sua vez representa uma nota tratada em teoria musical. Várias cordas apertadas de acordo com um molde predefinido dos dedos da mão esquerda produzem um acorde, que também é um conceito inerente à área musical.

Nos próximos artigos, chegaremos à conclusão dessa conversa e reuniremos o que é necessário para começarmos a realmente executar música no violão.

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